sábado, 30 de abril de 2011

O CIRCO



Quando eu era adolescente, meu pai e eu estávamos na fila para comprar
ingressos para o circo.

Finalmente, havia apenas uma família entre nós e o guichê.

Essa família me causou uma profunda impressão. Havia oito crianças,

provavelmente todas com menos de 12 anos.

Podia-se dizer que elas não tinham muito dinheiro.

Suas roupas eram baratas, porém limpas. As crianças eram bem comportadas,

todas em pé na fila duas a duas de mãos dadas, atrás de seus pais.

Falavam animadamente sobre os palhaços, os elefantes

e outras coisas que veriam naquela noite.

Podia-se perceber que nunca tinham ido ao circo. O programa prometia

ser um grande acontecimento em suas vidas jovens.

O pai e a mãe iam à frente do grupo, tão orgulhosos quanto poderiam estar.

A mãe segurava o braço do marido e olhava para ele, como se dissesse,

"Você é meu cavaleiro com uma armadura brilhante". O pai sorria cheio

de orgulho e olhava para ela, como se respondesse, "Você tem razão."

A vendedora de ingressos perguntou ao pai quantos ele queria. Ele respondeu,

"Por favor, quero oito de crianças e dois de adultos para levar a
minha família ao circo".

A vendedora disse o preço. A mãe ficou cabisbaixa e largou a mão

do marido, que ficou com os lábios trêmulos.

Ele perguntou novamente: "Quanto foi que a senhora disse?"

A vendedora disse novamente o preço.

O homem não tinha dinheiro suficiente. Como poderia dizer a seus

oito filhos que não tinha dinheiro suficiente para levá-los ao circo?

Vendo o que acontecia, meu pai colocou a mão em seu bolso,

pegou uma nota de cem reais e a deixou cair no chão.

Meu pai se abaixou, pegou a nota, tocou no ombro do homem e disse

"Senhor, com licença, isto caiu do seu bolso."

O homem entendeu o que estava acontecendo. Não estava pedindo esmolas,

mas certamente apreciou a ajuda em uma situação terrivelmente constrangedora.

Ele olhou bem nos olhos do meu pai, pegou a sua mão nas suas, apertou

com força a nota de cem reais e, com os lábios trêmulos e uma
lágrima rolando em seu rosto,

respondeu "Obrigado, senhor. Isso significa muito para mim e para a
minha família."

Meu pai e eu voltamos para o nosso carro e nos dirigimos para casa.

Não fomos ao circo naquela noite, mas valeu a pena.

Do livro "Histórias para abrir o coração"... autores: Jack Canfield e
Mark Victor Hansen

Nenhum comentário:

Postar um comentário